quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Qual é a Bíblia correta, católica ou protestante ?

A resposta a esta indagação somente será clara se considerarmos a história da formação do Livro Sagrado.
As passagens bíblicas começaram a ser escritas esporadicamente desde os tempos anteriores a Moisés; é de notar que a escrita era uma arte rara e cara na antigüidade. Moisés foi o primeiro a codificar as tradições orais e escritas de Israel, no século XIII AC. Essas tradições (leis, narrativas, peças liturgicas) foram sendo acrescidas aos poucos pôr outros escritos no decorrer dos séculos, sem que os judeus se preocupassem com a catalogação das mesmas…
Todavia, no século I da era cristã, deu-se um fato importante: começaram a aparecer os livros cristãos (cartas de São Paulo, Evangelhos…) que se apresentavam como a continuação dos livros sagrados dos judeus. Estes porém, não tendo aceito o Cristo, trataram de impedir que se fizesse a aglutinação de livros judeus e livros cristãos. Pôr isso reuniram-se no sínodo de Jâmnia ou Jabnes ao sul da Palestina, pôr volta do ano 100 D.C., a fim de estabelecer as exigências que deveriam caracterizar os livros sagrados ou inspirados pôr Deus. Foram estipulados os seguintes critérios:
1) o livro sagrado não pode ser escrito fora da terra de Israel;
2) …não em língua aramaica ou grega, mas somente em hebraico;
3) …não depois de Esdras (458 – 428 AC)
4) …não em contradição com a Torá ou Lei de Moisés.
Em conseqüência os judeus da Palestina fecharam o seu cânon sagrado sem reconhecer livros e escritos que não obedeciam a tais critérios. Acontece porém que em Alexandria (Egito) havia próspera colônia judaica, que, vivendo em terra estrangeira e falando língua estrangeira (o grego), não adotou os critérios nacionalistas estipulados pelos judeus de Jâmnia.
Os judeus de Alexandria chegaram a traduzir os livros sagrados hebraicos para o grego entre 250 e 100 A C , dando assim origem à versão grega dita “Alexandrina” ou “dos Setenta intérpretes”. Essa edição grega bíblica encerra os livros que os judeus de Jâmnia não aceitaram, mas que os de Alexandria liam como palavra de Deus; assim os livros de Tobias, Judite, Sabedoria, Baruque, Eclesiástico, ou Siracides, 1 e 2 Macabeus, além de Ester 10, 4-16, 24; Dn 3, 24-90; Dn 13-14.
No século XVI, porém, Martinho Lutero ( 1483 – 1546 ), querendo contestar a igreja, resolveu adotar o cânon dos judeus da Palestina, deixando de lado os sete livros deuterocanônicos que a igreja recebera dos judeus de Alexandria. É esta a razão pela qual a Bíblia dos Protestantes não tem sete livros e os fragmentos que a Bíblia dos católicos inclui. Para dirimir as dúvidas devemos lembrar que é o Espirito Santo quem guia a igreja de Cristo e fez que após o período de hesitação (séc. I – IV), os cristãos reconhecessem como válido o cânon amplo.

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