quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Os protestantes dizem: "Enquanto vocês, católicos, pedem aos Santos, nós pedimos diretamente a Deus". Gostaria de saber: como é este processo? Sabemos que Deus é onisciente, tem todo o conhecimento. Bem, quando pedimos aos Santos, eles pedem a Deus, sabendo Deus da nossa necessidade? Como funciona quando pedimos algo aos Santos? Como ocorre essa intercessão dos Santos quando rogamos a eles? 
            Márcio, primeiramente, recomendo a leitura atenta do artigo que escrevi no link “Doutrina Católica”. O artigo chama-se “Então, a Igreja adora os Santos?”. Ali, este tema encontra-se bem explanado.
            É verdade que somente Jesus Cristo salva: “Não há, debaixo do céu, outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos” (At 4,11). Ele é o único Mediador entre Deus, nosso Pai, e a humanidade: “Há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, um homem, Cristo Jesus, que se deu em resgate por todos” (1Tm 2,5). Nele nós temos a bênção da graça e da salvação: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com toda a sorte de bênção espirituais, nos céus, em Cristo. É pelo sangue deste que temos a redenção, a remissão dos pecados...” (Ef 1,3.7). Este, é, portanto, um ponto central claríssimo da fé católica: só Cristo salva e somente Cristo intercede por nós junto do Pai. Não há outra mediação fora da mediação do único e absoluto Salvador, Cristo Jesus.
            A primeira coisa importante na questão que foi colocada é compreender bem o que é um Santo. Segundo a Escritura, somente Deus é Santo (cf. 1Sm 2,2; Sl 22,3; Is 6,3). A palavra hebraica “santo” (=kadosh) significa “separado”. Deus é o Outro, o que está para além de tudo, o que é diverso de toda a criação, é aquele que não pode ser confundido com as criaturas, aquele que não pode ser manipulado pelo homem. Deus não está entre as criaturas: ele é o sustento de tudo, é o fundamento de tudo. Porque é Santo, Deus é completamente livre, soberano, glorioso. A Igreja, fiel à Palavra de Deus, afirma, na Oração Eucarística II: “Na verdade, ó Pai, vós sois Santo e fonte de toda a santidade!” Sendo o Filho eterno do Pai, e Deus com o Pai, Jesus Cristo é o Santo de Deus (cf. Mc 1,24; Lc 1,35; At 3,14...). A cada Domingo a Igreja dirige-se, na Missa, ao Senhor Jesus com estas palavras: “Só vós sois o Santo, só vós o Senhor, só vós o Altíssimo, Jesus Cristo, com o Espírito Santo na glória de Deus Pai”. Sendo o Santo, ele nos santificou com a sua cruz e ressurreição, pois, ressuscitando, derramou sobre nós o seu Espírito Santo, Espírito de santificação: “Dizendo isso, soprou sobre eles e lhes disse: «Recebei o Espírito Santo...” (Jo 20,22). Ao sermos batizados, recebemos o Espírito Santo do Cristo ressuscitado, que nos dá uma nova vida: a vida do próprio Deus. É esta vida nova que nos faz “Santos”: “Vós vos lavastes, fostes santificados, fostes justificados em nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito Santo” (1Cor 6,11). “Nele (em Cristo) ele (o Pai) nos escolheu antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele no amor” (Ef 1,4). Assim, aqueles que foram batizados em Cristo receberam a santidade de Cristo porque receberam o Espírito Santo de Cristo, Espírito santificador. Por isso mesmo muitas vezes São Paulo chama todos os cristãos de «Santos» (cf. 1Cor 1,2; 2Cor 1,1; Ef 3,8; Fl 4,21...). No entanto o cristão, sendo santo, ou seja, santificado por Cristo, deve viver como santo. Escrevendo aos Coríntios, o Apóstolo assim se referia aos batizados: “... àqueles que foram santificados em Cristo Jesus, chamados a ser santos...” (1Cor 1,2). Portanto, «santo», para a Igreja, é todo cristão! Contudo, damos o nome de “santo” de um modo todo especial àqueles cristãos, irmãos nossos - canonizados ou não -, que já estão na Glória. Eles foram abertos à graça de Cristo, eles disseram “sim” sem reservas à salvação trazida por Jesus; aceitando completamente Jesus como Salvador, eles não resistiram à ação do Espírito Santo, eles viveram seu Batismo até às últimas conseqüências! O «santo» é um pecador como nós, que lutou para levar Cristo a sério e, procurando ser fiel à graça de Cristo, viveu o Evangelho. Por isso mesmo é apresentado pela Igreja como exemplo para todos nós.

            Esclarecido este ponto, vamos à intercessão dos santos. A Escritura nos ensina que todos os batizados foram revestidos de Cristo e, tornando-se uma só coisa com ele, são membros do seu Corpo, que é a Igreja. Ser cristão é estar incorporado, enxertado no Senhor Jesus ressuscitado: “Todos vós, que fostes batizados em Cristo, vos revestistes de Cristo... pois todos vós sois um só em Cristo Jesus” (Gl 3,27); “Vós sois o corpo de Cristo e sois seus membros, cada um por sua parte” (1Cor 12,27); “Nós somos muitos, mas formamos um só corpo em Cristo” (Rm 12,27). A vida dos bem-aventurados no céu - e também já aqui na terra a vida de cada batizado - é vida em Cristo: “A graça de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 6,23). O cristão é aquele que permanece em Cristo, que vive não mais por si mesmo, mas por Cristo. A seiva, a vida nova da qual vivem os cristãos é o próprio Espírito Santo do Senhor Jesus ressuscitado, recebido no batismo:“Aquele que se une ao Senhor, constitui com ele um só Espírito” (1Cor 6,17); “Pois fomos todos batizados num só Espírito para ser um só corpo... e todos bebemos de um só Espírito” (1Cor 12,13). Aparece assim claramente que os batizados - particularmente os que estão na Glória - são uma só coisa com Cristo, estão em Cristo, foram “con-formados” com Cristo, são membros de Cristo, que é Cabeça de todos. Não há, para aqueles que estão na Glória, outra vida que não a de Cristo e em Cristo!
            Ora, o Espírito de Cristo ressuscitado em nós, fazendo-nos uma só coisa com o Senhor Jesus, suscita em nós os bons sentimentos e as boas obras: tudo de bom que pensamos e fazemos é suscitado pelo Espírito Santo em nós: “É Deus quem opera em vós o querer e o operar” (Fl 2,13). É exatamente porque cremos em Cristo, porque estamos unidos a ele e nele estamos enxertados e incorporados pelo Batismo, que podemos realizar as obras da fé, daquela fé que atua pela caridade (cf. Gl 5,6). Quando rezamos, não somos nós que rezamos: quem ora em nós, quem louva em nós e intercede em nós é o próprio Espírito do Cristo Jesus ressuscitado: “Assim também o Espírito socorre a nossa fraqueza. Pois não sabemos o que pedir como convém; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis e aquele que perscruta os corações sabe qual é o desejo do Espírito; pois é segundo Deus que ele intercede pelos santos” (Rm 8,26-27). É por isso que, já aqui na terra, pedimos aos nossos irmãos que intercedam por nós. Dizemos uns aos outros: “Fulano, reze por mim!” O próprio Novo Testamento recomenda que rezemos uns pelos outros (cf. 2Cor 1,1; Ef 1,16; 6,19; Fl 1,4; Cl 4,12; 1Ts 1,2; 1Ts 5,25; 1Tm 2,1; Tg 5,16). Pedimos a oração de um irmão batizado porque sabemos que ele ora em Cristo, que esse irmão é uma só coisa com Cristo, já que é membro do seu Corpo e vive do Espírito do Senhor ressuscitado, de modo que já não é ele quem ora, mas é Cristo que ora nele como Mediador único entre nós e Deus.
            Com nossos irmãos que estão na Glória acontece o mesmo. A morte não nos separa do amor de Cristo nem dos irmãos, não rompe a comunhão entre os que estão com o Senhor, no céu, e nós, peregrinos: “Estou convencido de que nem a morte nem a vida... nem qualquer outra criatura poderá nos separar do amor de Deus manifestado em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8,38-39). No Senhor todos vivem e permanecem unidos no amor. Se a morte interrompesse uma tal comunhão em Cristo isso significaria que ela - a morte - seria mais forte que o amor, que a vida e que a vitória do Senhor Jesus. Mas, não! Cristo é mais forte que a morte e o inferno! Desse modo, nossos irmãos que estão com Cristo (cf. Fl 1,23) na Glória, são plenamente membros do Corpo do Cristo, vivem do Espírito do Cristo ressuscitado e participam da única mediação de Cristo! É Cristo quem intercede neles, de modo que a intercessão dos Santos, amigos de Cristo, nada mais é que uma admirável manifestação do poder e da fecundidade da única mediação do Senhor Jesus. Ele é o único Mediador, que inclui na sua mediação única todos os que são uma só coisa com ele por serem membros do seu Corpo. A mediação do Senhor Jesus não é mesquinha: é única, mas não é exclusivista: ela inclui todos nós: não é exclusiva, mas inclusiva! Caso contrário, nem nós, que vivemos ainda neste mundo, poderíamos rezar uns pelos outros, já que isso é também uma forma de mediação.
            Assim, é em Cristo, como seus membros, no seu Espírito, que os Santos intercedem ao Pai. A intercessão dos Santos nada mais é que uma manifestação da única intercessão do Senhor Jesus, que, sendo rico e potente, suscita em nós a capacidade de participar da sua única mediação. Os nossos irmãos na Glória são aquela nuvem de testemunhas de que fala a Epístola aos Hebreus: “Portanto, também nós, com tal nuvem de testemunhas ao nosso redor, rejeitando todo o fardo e o pecado que nos envolve, corramos com perseverança a corrida que nos é proposta, com os olhos fixos nAquele que é o Autor e Realizador da fé, Jesus” (Hb 12,1-2). São eles que, a exemplo dos primeiros santos mártires, participando da mediação única do Senhor Jesus, e nessa única mediação, suplicam em nosso favor, como membros de Cristo: “Vi sob o Altar as vidas dos que tinham sido imolados por causa da Palavra de Deus e do testemunho que dela tinham prestado. E eles clamaram em alta voz: ‘Até quando, ó Senhor Santo e Verdadeiro, tardarás a fazer justiça, vingando nosso sangue contra os habitantes da terra?’” (Ap 6,10)
Martinho Lutero, Pai da Reforma Protestante, não questionava dogmas da Igreja em relação a Maria Santíssima. Pelo contrário, já li textos fantásticos seus sobre Maria. Então, donde surgiu esse "ódio" mortal dos Protestantes a Maria Santíssima? Chego a perguntar, o que Maria fez para que eles tenham tanta raiva? (Márcio) 
            Realmente Lutero não concordaria com a maioria das atitudes dos atuais protestantes em relação à Nossa Senhora. Por dever de justiça é necessário reconhecer que um protestante esclarecido não nutre desprezo pela Mãe de Jesus. Ele apenas nega que ela tenha alguma importância no projeto salvífico de Deus. Isto, porque nossos irmãos separados têm tanta ânsia de deixar claro que somente Jesus é o Salvador (e eles estão certos em afirmar isso), que terminam esquecendo que aqueles que estão em Cristo, no Espírito de Cristo, são membros do Corpo de Cristo e participam da missão de Cristo. Ao esquecerem isso caem em erro grave contra a fé apostólica – o erro contra a fé é o que chamamos de heresia. Os protestantes gostam de dizer “Só Jesus”. Ótimo! O problema é que eles compreendem o “só Jesus” como “Jesus só!”, um Jesus sozinho, que não é Cabeça do Corpo da Igreja, que não nos uniu a Ele desde o batismo, na força do seu Espírito Santo.
            Todos os que são batizados em Cristo participam da missão de Cristo. Tantos e tantos textos da Escritura dizem isso. Basta recordar que os próprios protestantes rezam uns pelos outros. Ora, se eu rezo por alguém, estou intercedendo por essa pessoa... Mas, não é somente Jesus o intercessor?! Mas, a Escritura manda que rezemos uns pelos outros! E por quê? Porque todo aquele que está em Cristo, reza no Espírito de Cristo, a ponto de poder dizer: “Já não sou eu quem reza, é Cristo que reza em mim!” Ora, mais que todos, a Virgem Santíssima foi totalmente cheia do Espírito do Cristo, de modo que sua oração materna é oração em Cristo, no Espírito de Cristo, em nada obscurecendo a mediação única de Cristo. Pelo contrário: é a mediação única de Cristo que atua em Maria, nos santos e em nós, quando rezamos uns pelos outros. Se nossos irmãos protestantes dizem que a Virgem não pode cooperar na obra da salvação, eles também não podem! Não podem sequer rezar uns pelos outros!
            A Escritura revela, ao contrário, um papel realmente importante da Virgem no plano de Deus: ela é a “Mulher” prefigurada no Gênesis, Mãe daquele que esmaga a cabeça da serpente (cf. Gn 3,15; Jo 2,4; 19,26; Gl 4,4; Ap 12,1s); ela é a verdadeira Eva, Mãe dos verdadeiros viventes em Cristo (cf. Gn 3,20, Jo 19,26). Somente uma leitura fundamentalista e fora da Tradição, que é o ambiente no qual a Escritura pode ser retamente compreendida, pode dar lugar a uma interpretação redutiva e pobre do papel da Virgem Maria! É uma das graves lacunas da profissão de fé protestante!
            Quanto ao “ódio” à Maria, geralmente é próprio dos pentecostais e neo-pentecostais, bem como de algumas outras seitas aqui do Brasil que, além de um fundamentalismo deplorável padecem de uma ignorância visceral. Muito desse ódio é pura e simplesmente para agredir os católicos. É de lamentar e é para ter pena. Rezemos pelos nossos irmãos à Virgem Santíssima, que é Mãe de todos os discípulos de Jesus – também daqueles que não gostam dela!
            Recordo um belíssimo texto parte de uma declaração de um grupo de teólogos anglicanos, luteranos, reformados (todos protestantes!), ortodoxos e católicos reunidos em nome de suas igrejas na ilha de Malta, nos dias 8-15 de setembro de 1983. Ei-lo: 
1. Todos reconhecemos a existência da Comunhão dos Santos como comunhão daqueles que na terra estão unidos a Cristo, como membros vivos do seu Corpo Místico. O fundamento e o ponto central de referência desta comunhão é Cristo, o Filho de Deus feito homem e Cabeça da Igreja (cf. Ef 4,15-16), para nos unir ao Pai e ao Espírito Santo. 
2. Esta comunhão, que é comunhão com Cristo e entre todos os que são de Cristo, implica uma solidariedade que se exprime também na oração de uns pelos outros; esta oração depende daquela de Cristo, sempre vivo para interceder por nós (cf. Hb 7,25). 
3. O fato mesmo de que, no céu, à direita do Pai, Cristo roga por nós, indica-nos que a morte não rompe a comunhão daqueles que durante a própria vida estiveram unidos em Cristo pelos laços da fraternidade. Existe, pois, uma comunhão entre os que pertencem a Cristo, quer vivam na terra, quer, tendo deixado os seus corpos, estejam com o Senhor (cf. 2Cor 5,8; Mc 12,27). 
4. Neste contexto, compreende-se que a intercessão dos Santos por nós existe de maneira semelhante à oração que os fiéis fazem uns pelos outros. A intercessão dos Santos não deve ser entendida como um meio de informar Deus das nossas necessidades. Nenhuma oração pode ter este sentido a respeito de Deus, cujo conhecimento é infinito. Trata-se, sim, de uma abertura à vontade de Deus por parte de si mesmo e dos outros, e da prática do amor fraterno. 
5. No interior desta doutrina, compreende-se o lugar que pertence a Maria Mãe de Deus. É precisamente a relação a Cristo que, na Comunhão dos Santos, lhe confere uma função especial de ordem cristológica... Maria ora no seio da Igreja como outrora o fez na expectativa do Pentecostes (cf. At 1,14). Quaisquer que sejam nossas diferenças confessionais (=de religião), não há razão alguma que impeça de unir a nossa oração a Deus no Espírito Santo com a liturgia celeste, e de modo especial com a Mãe de Deus. 
Este documento é assinado por teólogos e pastores luteranos, anglicanos, reformados, bem como por teólogos ortodoxos e católicos!
Gostaria de saber se, quando morremos, ficamos dormindo até o Dia do julgamento.

            Primeiramente recomendo que você leia os textos “Escatologia – Sobre o fim do mundo”. Lá está tudo explicado detalhadamente. Em todo caso, aqui vai uma resposta resumida. 
No Antigo Testamento, antes da vinda do Cristo, pensava-se que quem morria ficava no sheol(mansão dos mortos), à espera da Vinda do Senhor, quando se dariam a Ressurreição dos mortos e o Juízo Final. Até lá, o sheol era igual para todo mundo, bons e maus: era o reino da morte para todos! Os mortos ficavam numa situação de espera até à consumação final. Aos poucos, porém, foi nascendo a idéia de que, mesmo no sheol, havia diferença entre os bons e os maus; basta pensar na parábola do rico epulão e do pobre Lázaro: os dois estão no sheol (no seio de Abraão), mas um está feliz enquanto o outro pena (cf. Lc 16,19-26). Em resumo: segundo os textos mais antigos do Antigo Testamento, os mortos ficavam “dormindo” no sheol até a ressurreição final, quando o Messias viesse; nos textos mais recentes, os judeus já não pensavam que os mortos ficavam dormindo, mas num estado de espera, bom para os justos e tormentoso para os maus, até que o Messias viesse para o julgamento definitivo.
No Novo Testamento, com a chegada do Messias, tudo muda! Com Cristo, que é o Messias esperado, os mortos não mais ficarão esperando, pois chegaram os últimos tempos! Recordemos aquela passagem de Lucas 23,42s, do bom ladrão: “E falou: ‘Jesus, lembra-te de mim quando vieres como Rei’. E Jesus lhe respondeu: ‘Eu te asseguro: ainda hoje estarás comigo no paraíso’”. O ladrão, como os judeus da época de Jesus, esperava a Ressurreição no final dos tempos, quando o Senhor viria em glória: “Lembra-te de mim, quando vieres com teu Reino!” Mas, o Reino já chegou, com a Ressurreição de Jesus chegaram os tempos finais. Por isso mesmo, Jesus responde: “Hoje mesmo estarás comigo!” Agora que ele chegou, que venceu a morte, não há mais o que ficar esperando: com Cristo, os mortos não têm mais o que esperar: já chegou o dia do julgamento! O futuro esperado torna-se hoje, torna-se presente em Cristo: a salvação definitiva não é uma realidade meramente futura, mas surte efeitos imediatos para quem parte desta vida na comunhão com Cristo; o paraíso, estado final da bem-aventurança, é estar com Cristo, “já”, “agora”!. A morte de Cristo abre as portas do paraíso, de modo que a morte do cristão é entrada na Vida eterna. Por isso mesmo São Paulo afirma preferir ausentar-se desta vida terrena para ir estar com Cristo: “Estamos, repito, cheios de confiança, preferindo ausentar-nos do corpo para morar junto do Senhor” (2Cor 5,8). Aqui aparece claramente que o término da existência terrena leva imediatamente a habitar junto do Senhor. Não tem essa de ficar dormindo: morrer é ir estar imediatamente com o Senhor... por isso Paulo prefere morrer logo! Os que morrem antes da Vinda de Cristo na glória vivem já com o Senhor. O Apóstolo acrescenta, em outra carta: “Para mim viver é Cristo e a morte, lucro. Entretanto, se o viver na carne ainda me permitir um trabalho frutuoso, não sei o que escolher. Estou como que na alternativa. Pois de um lado desejo partir para estar com Cristo, o que é muito melhor” (Fl 1,21ss). Note-se que aqui o importante é que “ o viver é Cristo”: a morte não é um lucro em si mesmo, mas somente se for um partir para estar logo com Cristo. Uma morte que fosse separação de Cristo ou que interrompesse a comunhão com ele, não seria “lucro” para Paulo. A morte somente é desejável porque permite a entrada nessa comunhão com Cristo, que constitui o objetivo último da esperança cristã. Em mais sete textos paulinos a expressão “com Cristo” aparece com este significado. Por exemplo: “Se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, cremos também que Deus levará com Jesus os que nele morrerem. Depois nós, os vivos, que estamos ainda na terra, seremos arrebatados juntamente com eles para as nuvens, ao encontro do Senhor nos ares. Assim estaremos sempre com o Senhor” (1Ts 4,14.17); “Pois Deus não nos destina à ira mas à salvação por Nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu por nós a fim de que, vivos ou mortos, fiquemos unidos a ele” (1Ts 5,10). Outros textos são 2Cor 4,14; 13,4; Rm 6,8; 8,32. Estar com o Senhor exprime a firme certeza da comunhão com Cristo logo após a morte! Se o estar com Cristo fosse possível somente na Parusia (= Vinda de Cristo), o melhor para Paulo não seria partir! Partir para ficar dormindo?! Partir somente é bom porque é para estar com Cristo!
            Resumindo: aparece claríssimo no Novo Testamento que logo após a morte “partimos para estar com Cristo”. Então, erram aqueles que afirmam que, após a morte, ficamos dormindo até à Ressurreição final! Afirmar que, após a morte ficamos dormindo, é esquecer que Cristo ressuscitou, que com ele, ressuscitamos para a Vida! Erram também gravemente os espíritas, que pensam que, após a morte, ficamos à toa, zanzando num além, até reencarnarmos novamente! Isso seria desconhecer que nem a morte, nem a vida, nem criatura alguma nos poderá separar do amor de Cristo (cf. Rm 8,39).
            Para terminar, cito um importante texto do magistério da Igreja, a Constituição Benedictus Deus, do Papa Bento XII, no século XIV, que ensinou claramente e de modo infalível: “Nós, com a força da autoridade apostólica, definimos que, segundo a geral disposição de Deus, as almas de todos os santos que deixaram este mundo antes da paixão de nosso Senhor Jesus Cristo, e aquelas dos santos apóstolos, dos mártires, dos confessores, das virgens e dos outros fiéis que morreram após receber o santo Batismo de Cristo, e nos quais não há mais nada para purificar quando morreram, e não haverá também no futuro, quando morrerem, ou caso tenham algo para purificar, uma vez purificado, já que foram purificados após a sua morte (...) imediatamente após a morte e a purificação - se disto tinham necessidade -, mesmo antes de reassumirem os seus corpos e do juízo universal, após a Ascensão do nosso Senhor Jesus Cristo ao céu, estavam, estão e estarão no céu, no reino dos céus e no celeste paraíso, com Cristo...”

            A doutrina da Igreja é clara: aqueles que já estão purificados de seus pecados, imediatamente após a morte, mesmo antes do juízo final, estarão no paraíso, que é estar com Cristo. E isto por quê? Porque Jesus já ressuscitou e já subiu ao céu. Na sua Ascensão, já nos abriu o coração do Pai! Repito: quem nega que logo após a morte vamos estar com Cristo, está desconhecendo que Cristo ressuscitou, está ainda no Antigo Testamento!
            E o juízo final? Na Vinda do Senhor nossos corpos ressuscitarão e tudo quanto fizemos de bom ou de mal, nossos atos e omissões aparecerão, com suas conseqüências para toda a humanidade! 

Qual é a Bíblia correta, católica ou protestante ?

A resposta a esta indagação somente será clara se considerarmos a história da formação do Livro Sagrado.
As passagens bíblicas começaram a ser escritas esporadicamente desde os tempos anteriores a Moisés; é de notar que a escrita era uma arte rara e cara na antigüidade. Moisés foi o primeiro a codificar as tradições orais e escritas de Israel, no século XIII AC. Essas tradições (leis, narrativas, peças liturgicas) foram sendo acrescidas aos poucos pôr outros escritos no decorrer dos séculos, sem que os judeus se preocupassem com a catalogação das mesmas…
Todavia, no século I da era cristã, deu-se um fato importante: começaram a aparecer os livros cristãos (cartas de São Paulo, Evangelhos…) que se apresentavam como a continuação dos livros sagrados dos judeus. Estes porém, não tendo aceito o Cristo, trataram de impedir que se fizesse a aglutinação de livros judeus e livros cristãos. Pôr isso reuniram-se no sínodo de Jâmnia ou Jabnes ao sul da Palestina, pôr volta do ano 100 D.C., a fim de estabelecer as exigências que deveriam caracterizar os livros sagrados ou inspirados pôr Deus. Foram estipulados os seguintes critérios:
1) o livro sagrado não pode ser escrito fora da terra de Israel;
2) …não em língua aramaica ou grega, mas somente em hebraico;
3) …não depois de Esdras (458 – 428 AC)
4) …não em contradição com a Torá ou Lei de Moisés.
Em conseqüência os judeus da Palestina fecharam o seu cânon sagrado sem reconhecer livros e escritos que não obedeciam a tais critérios. Acontece porém que em Alexandria (Egito) havia próspera colônia judaica, que, vivendo em terra estrangeira e falando língua estrangeira (o grego), não adotou os critérios nacionalistas estipulados pelos judeus de Jâmnia.
Os judeus de Alexandria chegaram a traduzir os livros sagrados hebraicos para o grego entre 250 e 100 A C , dando assim origem à versão grega dita “Alexandrina” ou “dos Setenta intérpretes”. Essa edição grega bíblica encerra os livros que os judeus de Jâmnia não aceitaram, mas que os de Alexandria liam como palavra de Deus; assim os livros de Tobias, Judite, Sabedoria, Baruque, Eclesiástico, ou Siracides, 1 e 2 Macabeus, além de Ester 10, 4-16, 24; Dn 3, 24-90; Dn 13-14.
No século XVI, porém, Martinho Lutero ( 1483 – 1546 ), querendo contestar a igreja, resolveu adotar o cânon dos judeus da Palestina, deixando de lado os sete livros deuterocanônicos que a igreja recebera dos judeus de Alexandria. É esta a razão pela qual a Bíblia dos Protestantes não tem sete livros e os fragmentos que a Bíblia dos católicos inclui. Para dirimir as dúvidas devemos lembrar que é o Espirito Santo quem guia a igreja de Cristo e fez que após o período de hesitação (séc. I – IV), os cristãos reconhecessem como válido o cânon amplo.
Que proveito há, meus irmãos se alguém disser que tem fé e não tiver obras? Porventura essa fé pode salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e tiverem falta de mantimento cotidiano, e algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos e fartai-vos; e não lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito há nisso? Assim também a fé, se não tiver obras, é morta em si mesma.
(Tiago 2:14-17)
É por isso que Lutero, fundador do Protestantismo queria arrancar da Bíblia o Evangelho de São Tiago, a qual chamava “Carta de Palha”.
Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente preparado para toda boa obra. (II Tim 3:16;17)
Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus. (Mat 5:16)
tendo o vosso procedimento correto entre os gentios, para que naquilo em que falam mal de vós, como demalfeitores, observando as vossas boas obras, glorifiquem a Deus no dia da visitação. (I Ped 2:12)
Não seja inscrita como viúva nenhuma que tenha menos de sessenta anos, e só a que tenha sido mulher de um só marido, aprovada com testemunho de boas obras, se criou filhos, se exercitou hospitalidade, se lavou os pés aos santos, se socorreu os atribulados, se praticou toda sorte de boas obras. (I Tim 5:9;10)
Os pecados de alguns homens são manifestos antes de entrarem em juízo, enquanto os de outros descobrem-se depois. Da mesma forma também as boas obras são manifestas antecipadamente; e as que não o são não podem ficar ocultas. (I Tim 5:24;25)